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terça-feira, 7 de junho de 2011

Coria Maragem

Maria é assim, toda coragem.
Muitos atribuem a coragem de Maria a uma doença que tivera quando criança, e que a afastara do mundo de joaninhas, que tanto gostava, para ficar por dez dias entre paredes verdes e pessoas de branco. Dizem que a menina tirou forças, Deus sabe de onde, para vencer tal enfermidade.
Este tempo já se faz longe, e Maria hoje é mulher.
Passara por muitas coisas nesta vida, e não por coisas que dizia não ter escolhido praguejando ao criador. Não. Maria passara por coisas da vida, pois decidira, de fato, viver. E, de fato, vivia. Toda coragem. Hoje, com meia idade, filhos e amores, vive ainda com todo o esplendor de quando era menina e sorria para suas joaninhas- aliás, hoje, ainda sorri para os bichinhos.
Há algum tempo Maria decidira passar por mais uma aventura. Decidira viver um novo caminho. E entregara-se a um novo amor.
As pessoas que convivem com Maria no tic-tac dos dias, `as vezes a acham mais louca que corajosa. A coragem, para eles, vem à vezes, em alguma situação extraordinária, mas a loucura... Esta está sempre ali, a fazer os olhos de Maria brilharem com pequenos insetos, chuva, flor, sol e gargalhadas. Mas, para o novo amor de Maria  - que para ela não é só novo, é o amor - os olhos brilham em função da coragem de estar atenta para a vida. E vendo-a assim, os dois passaram a atentarem juntos para as explosões dos momentos, simples ou não, mas sempre extraordinários.
E assim vivem. Rindo, sorrindo, amando e se emocionando num caminho que é todo coragem.
E Maria vive com um sorriso que ocupa seu corpo todo, mas também chora, e pra isso também tem coragem.

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